O projeto Viana Abraça, vencedor da categoria “Estratégia Municipal para a Sustentabilidade” dos Prémios Cidade+ 2025, é um exemplo inspirador de como a gestão eficiente dos biorresíduos pode contribuir para cidades mais limpas, sustentáveis e socialmente mais justas.
Lançado em julho de 2019, com financiamento dos Fundos Europeus Estruturais e de Investimento (FEEI), através do POSEUR no âmbito do Portugal 2020, o projeto Viana Abraça, do Município de Viana do Castelo, tem como principal objetivo captar os resíduos orgânicos para valorização, reduzindo significativamente a deposição em aterro e promovendo a economia circular no município de Viana do Castelo.
Com um investimento global de cerca de quatro milhões de euros – dos quais 3,36 milhões provenientes de fundos europeus e cerca de 594 mil euros de financiamento público nacional –, o projeto estrutura-se em dois eixos complementares: o eixo rural e o eixo urbano.
No eixo rural, foi promovida a compostagem doméstica através da distribuição de 7.500 kits de compostagem a famílias localizadas em zonas rurais e periurbanas do concelho. Até ao final de 2024, tinham sido distribuídos mais de 8.100 compostores, dos quais cerca de 6.579 estavam em atividade, permitindo a reciclagem de 2.205 toneladas de biorresíduos diretamente na origem.
O eixo urbano apostou numa solução inovadora e tecnologicamente avançada para a recolha seletiva de biorresíduos alimentares. Foram instalados 480 contentores de proximidade com abertura condicionada, acessíveis apenas através de um sistema RFID, integrado em 22 mil equipamentos domésticos de separação de resíduos. Este sistema permitiu, além de assegurar um acesso controlado e eficiente, registar a informação sobre a deposição de biorresíduos, criando um novo paradigma na monitorização da participação dos munícipes e na gestão de resíduos urbanos.
A estratégia urbana permitiu que, em apenas um ano de implementação (a partir de agosto de 2023), mais de 14 mil famílias aderissem à recolha seletiva de biorresíduos, prevendo-se uma eficiência de recolha entre os 50% e os 72%, o que representa cerca de 96 kg por agregado familiar, por ano. Estes resíduos, em vez de serem depositados em aterro, passam a ser encaminhados para valorização orgânica, contribuindo para a produção de composto e energia, e para a redução das emissões de metano e outros gases poluentes.
benefícios para todos
Mas os impactos do projeto não se esgotam na dimensão ambiental. A poupança gerada pelo desvio dos resíduos orgânicos dos aterros tem vindo a ser canalizada para as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) do município, promovendo uma distribuição justa dos benefícios e reforçando a coesão social. Adicionalmente, os compostores domésticos são construídos com a participação de utentes da APPACDM - Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Viana do Castelo, promovendo a inclusão social e o envolvimento comunitário.
No plano económico, o projeto representa uma clara aposta na economia circular. Ao valorizar os biorresíduos, reduz-se a necessidade de adquirir fertilizantes e diminuem-se os custos com a gestão dos resíduos orgânicos. Em 2017, antes da implementação do Viana Abraça, os biorresíduos enviados para aterro representavam mais de 12 mil toneladas e geravam um custo superior a 276 mil euros. Em 2024, esse custo ascenderia a mais de 800 mil euros, o que evidencia o impacto significativo da nova abordagem.
O Viana Abraça distingue-se também pela sua componente educativa. Ao envolver os cidadãos na compostagem doméstica e na separação na fonte, o projeto promove a consciencialização ambiental e altera comportamentos em direção a hábitos mais sustentáveis. Esta participação ativa é essencial para enfrentar os desafios das alterações climáticas e para garantir a sustentabilidade a longo prazo das políticas de resíduos.
